quinta-feira, 19 de abril de 2018

As compressas e os parafusos.



...Outra coisa ainda; nas oficinas metalúrgicas por onde passei, em que se praticava mecânica fina também se dispunha os utensílios e as ferramentas sobre um paninho verde (às vezes preto ou branco) à semelhança dos instrumentos cirúrgicos. Havia a chamada "boa-prática" que pomposamente agora chamam protocolo, de contar as ferramentas, as peças, e os componentes substituídos. Incluindo "porcas" que não deviam sobrar; desperdícios de trapo, vedantes de cobre, cartão ou neoprene, etc.
Para terminar...


quinta-feira, 12 de abril de 2018

O CEO e Yuri Gagarin.Vista do espaço a terra é azul.


Dizem que o Cosmonauta Yuri Gagarin, o primeiro ser humano no Espaço, em 1961, ao olhar para a Terra exclamou comovido:
 "A Terra é azul!"


Visto de perto o CEO não é azul.


domingo, 8 de abril de 2018

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Beatriz Cunha - Polígonos


Quando me questionaste sobre as tuas novas esculturas com aquela necessidade que só artistas criadores de coisa nova têm em se pôr em dúvida, disse-te:
"-Não sei! É muito novo para mim." Tinhas acabado um ciclo de peças figurativas, antropomórficas: corações, mãos, cabeças, rostos...
Nessa altura o meu enquadramento referencial não funcionou. Senti-me em queda livre sem  rede salvadora ou linha de vida. 
Depois dei por mim pairando, flutuando no espaço, sem Gravidade que me arrastasse numa colisão contra um alvo determinado. Imponderável como um cosmonauta.
"-São poliedros? São sólidos platónicos em desconstrução?" 


Ao ver as tuas novas peças, o meu olhar caminhava de um interior escuro para a luz do ar livre. Sofri essa momentânea falta de visão do ajustar da percepção que impede compreender o que se vê. 

Sem que tivesse dado conta, os teus “sólidos” continuavam as interrogações e a pesquisa que sempre conheci no teu processo criador e existencial. 
A  linguagem; aquilo que percebemos na obra de um artista como fazendo parte intrínseca do que está no seu âmago de maneira a que não o possamos confundir com um outro, era a tua linguagem.  Sim, era bem a tua linguagem que se afirmava naquelas peças aparentemente tão diferentes das anteriores.

O rio e a margem. O côncavo e o convexo. O que está fora e o que está dentro. As interrogações à própria percepção concretizavam-se naquelas arestas perante o meu olhar. O miolo e a concha. O que é o Ser e o que é parecer.  
Os vértices, as esquadrias, os diferentes planos determinavam continuidades, oposições e contradições. Contidas naquelas facetas deparei-me com o que entendemos ser a natureza humana, o que aceitamos em nós, o que toleramos, o que só vemos nos outros.

Como numa heteronímia urdias a trama complexa das maneiras diferentes de sentir. As charneiras que articulamos e nos articulam, as que deixamos paralisadas até se cristalizarem.
Naquelas superfícies tridimensionais são incorporadas muitas outras dimensões. O tempo afirma-se num roteiro de vestígios de construção e desmoronamento. Há faces que resistem e exibem a sua resiliência sem que a sua estrutura tivesse sofrido com o choque; outras, não conseguem esconder o impacto que as deformou até à rotura.
Naquelas peças vi então a procura do ser e do não ser, a abstracção máxima, a procura da forma da própria Alma.

sexta-feira, 30 de março de 2018

DUDU Rose (Sénégal Musique / Senegal Music)


Comprei o disco há mais de 20 anos. A gravação a partir do minuto 29 foi feita numa noite de lua cheia como a de hoje. Cristãos celebravam a sua Páscoa e Muçulmanos o final do Ramadão. O Maestro Dudu N'diaye Rose comandava os tambores. Viviam um momento único de comunhão que ficou registado no disco e neste filme. Há momentos irrepetíveis que têm o condão de nos recordar que a convivência é possível.

A espera da Prima


quarta-feira, 28 de março de 2018

Damien Hirst fala de Francis Bacon | TateShots





Há muitos anos vi uma grande retrospectiva de Francis Bacon, por essa altura vi também  peças de Damien Hirst, nomeadamente a peça conhecida por "Mother and Child".

A pintura de Francis Bacon que me parecia herdeira de Chaïm Soutine, repercutia em mim o desconforto de quem ficou na margem a observar uma violência incompreensível e injustificável. 
Nesse sentido ficar à margem era até um benefício misericordioso. Era o alívio de ter escapado a uma escolha sacrificial. No entanto esta marginalidade não me apaziguava o mau estar causado pela conivência e pelo conformismo. O sentimento quase infantil da criança que poupada ao castigo, pensa aliviada "ainda bem que não me calhou a mim" era insustentável perante a pintura de Francis Bacon.
Invariavelmente a sua pintura causava-me uma repulsa e um desconforto psicológico que me obrigava a reagir. 

As peças de Damien Hirst pelo contrário colocavam-me num estado embotado de sensibilidade por entrarem num referencial de percepção que é comum aos laboratórios e aos açougues. 
A desresponsabilização física e psicológica do interveniente é nesses sítios justificada por um bem maior. A eventual relutância ou remorso, tem absolvição por algo que é transcendente à própria decisão do interveniente em nome de um benefício superlativo: O sacrifício é necessário pela necessidade vital da nutrição do corpo, ou do alimento do espírito sob a forma de conhecimento e progresso. Mesmo que o interveniente o seja como simples espectador de uma exposição de arte contemporânea. 
Encontrei depois, descrições deste estado mental, nos testemunhos feitos por perpetradores que funcionaram e colaboraram em campos de concentração e extermínio e também nos testemunhos de vítimas sobreviventes. 
Estas pessoas que sobreviveram ao horror, foram corrompidas por ele e a sua condição de vítimas e carrascos, voluntários ou por omissão, são uma alegoria da vivência actual.
O cidadão enquanto habitante da polis; enquanto ser civilizado, com direito político; abdicou de ser sentinela, “whistleblower” como agora se diz, deixou de ser testemunha, e prefere deixar de ser observador. Prefere ser transformado em simples espectador, em consumidor e em utente.





domingo, 25 de março de 2018

As medicinas alternativas e o científico método BOGSAAT

Os falantes de inglês-americano têm um acrónimo BOGSAAT (Bunch Of Guys Sitting Around A Table) que traduzido seria; "Uma Malta Sentada à Mesa".

Infelizmente uma parte das "decisões científicas" são tomadas assim com uma malta sentada à mesa, e com a ajuda de estudos estatísticos dignos daquela anedota do par de amigos em que o comilão come as duas pernas do frango mas estatisticamente cada um comeu uma.

Vem a propósito dizer que a explicação do processo científico de funcionamento do ácido acetilsalicílico como bloqueador da dor era desconhecido até há pouco tempo. No entanto tinha sido patenteado com o nome de aspirina há mais de 100 anos.
Cientificamente era desconhecido o mecanismo como baixava a febre ou como era um anticoagulante do sangue apesar de já ser ser usado há mais de cem anos. No entanto a medicina tradicional que agora costumam chamar alternativa, sabia que as folhas do salgueiro (salix) de onde se extraiu o ácido acetilsalicílico serviam para o mesmo efeito.
Usadas desde a antiguidade como anti-inflamatório, para suprimir ou reduzir a dor e baixar a febre, as folhas do salgueiro não eram mezinhas de charlatão. Mesmo que não fosse possível explicar como actuava o seu efeito.

Invocar a ciência do cânone ocidental como a verdadeira em oposição a outras com praticas milenares como sendo embuste de curandeiros é um dogma tão totalitário como outro qualquer. A triste história do flúor, dos benefícios do fumo do tabaco, ou do combate ao colesterol são preocupantes factos em que o método científico foi posto ao serviço da acumulação de capital contra as populações com ou sem doença declarada. Uma estratégia de criar o doente crónico, um doente ideal que necessitará do medicamento enquanto viver.

quarta-feira, 21 de março de 2018

de pé


Hoje é dia da poisia e da arvém mas é também o dia da serra.




Hoje dia da poisia e da arvém,
dia em que tantos plantadores se prantam e tantos poetas se poisam fica aqui poisada a minha homenagem aos incansáveis motoserreiros que  livram as nossas cidades e as nossas serras dessas pragas que são as arvéns.







Ó motoserreiros que andais por caminhos ermos,
possais vós ao menos, serrar até aos extremos.
Serra acima, serra abaixo, tudo a serrar com moto,
salvai do relaixo bem cortai, velho lenho e tenro broto;
a eito cortai cerro; fundo podai, serrai, e desmatai;
matai mato e giesta e o que presta querer reverdecer
mas ai... o pinhal deixai e o eucalipal bem guardai
pois para a papa bem fazer no verão se há de acender
um grande São João e do céu helicóptero virá com a aviação
em grande procissão a brasa combater para nossa salvação.



-

serpes


terça-feira, 20 de março de 2018

A fé e a margem

Não acredito nos missionários da poesia
mas acredito nos que experimentam 
o peso das palavras
uma a uma

Acredito nos que acham e colhem o ouro,
doce e sumarento 
que oferecem os gomos de mais delicado sabor

Não acredito nos que se querem poetas
mas acredito naqueles que trazem
a navalha afiada no bolso;
que fatiam o pão e as maçãs de sabor metálico,
matam a fome aguçam o espanto das crianças órfãs
nos pequenos lápis de desenhar.

Não acredito na poesia
mas acredito na revelação contínua da palavra
como relâmpago e trovão
Acredito na brevidade da faísca e no eco
Acredito na paradoxal impermanência do vento
e na sua constância.
Acredito nas amuradas angustiadas
dos que partem e na diferença
dos que ficam em silêncio na margem.

quinta-feira, 15 de março de 2018

Remender to look up to the stars and down to the soil - Festival of Dangerous Ideas 2013: Vandana Shiva - Growth = Poverty



Repito aqui esta palestra. É pena não estar legendado em Português. É uma lição abrangente de história, economia, sociologia, biologia, ecologia, etnologia, cidadania, etc. etc.
Vandana Shiva é doutourada em física com tese na área da física quântica. 
Abusando de um conceito desde o dia de ontem muito publicitado devido ao falecimento de um outro físico eu direi: 

Lembrem-se de olhar para cima para as estrêlas mas também de olhar para baixo para o chão que nos sustenta, não olhem para baixo para os vossos pés ou para o vosso umbigo.
Já agora, é de dizer que existe mais vida no subsolo do que sobre ele. Com o solo partilhamos os elementos que constituem o nosso corpo e possibilitam a nossa mente. São esses os mesmos elementos que foram formados em estrêlas distantes no tempo e no espaço que se transformam continuamente e constituem o pó que forma o solo e o nosso corpo. Esse mesmo pó de que fala o conhecimento espiritual.











terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Música da Roménia música dos Rom um povo nómada que dizem ter vindo da Índia e que por cá chamamos Ciganos.

O falecido Nicolae Neacșu conhecido por Culai.

O esforço é sempre Arte Ingénua e Arte em Bruto, o que o motiva é a escravatura do Clássico ou o Surrealismo, mas a sua representação só pode ser Expressionista e para além do que é a Nova Realidade.



A vida como tarefa de quem carrega
o fardo da mobilidade obrigatória. 

Não deixa de ser irónico 
que uma sociedade que se diz da informação, 
se especialize na construção de muros e vedações de toda a espécie e 
nesta sociedade 
não seja tolerada a permanência dos que querem ficar 
ou o trânsito dos que querem passar.