sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Feira da Luz.

No Largo da Luz à volta do jardim, são montadas toldos e e tendas de feira, carroceis e barracas de farturas, barracas de artesanato e utilidades. Feiras anuais como esta que rodeavam Lisboa, têm tendência a desaparecer. A Feira da Charneca do Lumiar que antecedia a Feira da Luz e que comemorava o S. Bartolomeu já acabou. Hoje está reduzida à saída da igreja em procissão, dos andores no Domingo 24 de Agosto, ou seguinte, se 24 não for Domingo. O grande largo triangular que era o Campo das Amoreiras deixou de ser um terreiro e hoje é um espaço ajardinado, ordenado e sem rebeldia. O país rural que Portugal era até à medula da sua capital, passou a país suburbano. A intelectualidade das grandes cidades, maioritáriamente descendente de emigrantes rurais, tem vergonha da sua origem camponesa. Os pais por omissão prática e por inadequação ao meio não lhe transmitiram a sua cultura ancestral. Ficaram alguns gestos e costumes nos dias de festa maiores como o Natal ou a Páscoa. Em troca foram criadas novas maneiras de estar renunciantes e mesmo destrutivas do passado. A parcimónia do supérfluo do tempo antigo é considerada como sinal de atraso, subdesenvolvimento, e pobreza. A memória tende a confundir a austeridade do meio rural com a privação e a opressão impostas pela da Ditadura. Nos anos 50 os primeiros dinheiros enviados da cidade para a família que ficou da aldeia tinham como destino rebocar exteriormente as casas de granito e de xisto. Rebocadas exteriormente e pintadas, as casas deixavam de se poder confundir com palheiros ou currais e começavam a assemelhar-se às casas da Cidade. Hoje sabe-se que as casas sem rebôco têm índices de inércia térmica e capacidade de acumulação de calor superior ás rebocadas. Sabe-se que os quartos com paredes de tabique e forrados a madeira eram em termos de conservação de energia melhores do que os de outro tipo de material. A renovação do ar nas cozinhas pelas frestas e aberturas intencionais como as destinadas aos gatos, prevenia envenenamentos por monóxido de carbono e por radão nas regiões graníticas. A mesma falsa modernidade que em tempos desaconselhou o aleitamento materno dos recém-nascidos por troca com o leite em pó de marcas multinacionais, incentivada por alguns médicos permeáveis à assertividade dessas multinacionais, é exactamente a mesma que hoje constrói vias rápidas e auto-estradas para todo o lado desclassificando áreas protegidas do património natural e agrícola para que essas vias cheguem à porta da aldeia de origem de Senhores grados com influência política. Não se pense que este subdesenvolvimento mascarado de modernidade é característico de Portugal. Outros países o praticaram antes de nós e o praticam ainda hoje em grande escala. O nosso atraso só nos pode deixar mais culpados por não termos evitado os erros que outros cometeram e cometem. Falando em alfinetes, em Inglaterra ainda hoje é proíbido amamentar em público. Porquê não sei. Mas sei que para uma multinacional que venda leite em pó tal lei é muito conveniente. Na Itália, pelo menos na Lombardia, uma mãe não passa o seu nome de família para a filha ou filho. Porquê não sei. Mas sei que o grande pacote de presente que recebemos em 25 de Abril de 1974 torna intolerante este tipo de lei machista. Em Paris nunca vi roupa estendida nas janelas é proíbido. Porquê não sei. Mas sei que lá os edifícios têm um aquecimento central e até uma distribuição de água quente que muita tonelada de dióxido carbono produz, mesmo no Verão. Quando cá proíbirem que se estenda roupa nas janelas ficaremos a parecer tão na vanguarda da moda quanto outros, mas estaremos a desperdiçar o Sol e o perfume que a roupa que esteve a corar tem. Não nos pareceremos mais com países ditos de Terceiro Mundo como Cuba ou Venezuela. Os mesmos que agora tratam os doentes portugueses que para lá são enviados. Os mesmos que para cá enviam os médicos que têm em número para além da sua necessidade. O dinheiro não chega para tudo é certo; e não descobrimos petróleo nas Berlengas ou no Beato. Mas o preço que custou Aquele centro Cultural de Belém (200 milhões de Euros) suportaria hoje a construção de 5 faculdades de medicina e o financiamento das mesmas por seis anos (números da AECOPS-Associação das Empresas de Construção e Obras Públicas, e das verbas atribuidas para a Universidade da Beira Interior e Universidade do Algarve). Talvez não valha a pena falar sobre coisas passadas. Falar de decisões que nínguem questiona executadas por Governos recheados de génios tanto da Economia como da Finança e da Educação e da Literatura, a julgar pelos Doutoramentos de honra recebidos!? Génios que por aí continuam a andar e a ser candidatos. Insensatez a minha em querer palpitar o que é melhor para o país, quando os nossos grandes Empresários que tanta riqueza e postos de trabalho criam nas suas Super Mega Giga Jumbo Mercearias dizem querer é formação na área de caixa, reposição, armazém, e distribuição de mercadoria importada... ... ... ... ... ... ... ... ... Se soubesse não tinha ido à Feira da Luz!

1 comentário:

Anónimo disse...
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