sábado, 28 de dezembro de 2013

O Sol nas Folhas da Macieira



Que dia tão cinzento!
Parece que o Sol se mudou
p'ras folhas da Macieira.
                                                                          Beatriz Cunha

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

A porta entreaberta, a ausência.

 


 A Viagem: Tão abstracta quanto uma linha sinuosa entre pontos anotados; tão fantástica quanto uma narrativa interminável, ou uma falta de presença táctil... como num sonho.



quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

De Lápis e Natais se fazem desenhos tais...

Passando pela verdade como quem passa pela Primavera; lá estivemos, sem saber o que vivemos, a não ser por um olhar alterado de somenos quando para trás olhámos, e lá, já não nos vemos.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Franco Fagioli um presente de Natal "Passaggier che sulla sponda"


Música da ópera escrita em 1729 por Nicola Porpora "Smiramide riconosciuta", poema de Pietro Metastasio.
Escultura em fibra de vidro concebida em 2009 por Charles Ray "Boy with a Frog".


A geada matinal

A curva do Ribeiro e o Sol nascente.
"Andorinha" matinal

O ribeiro gelado
A geada nas ervas
A Luz das Oliveiras
O caminho gelado

A berma dos pequenos carvalhos

A geada na erva


O vale gelado
A poça gelada


terça-feira, 24 de dezembro de 2013

O Madeiro expiatório.

As presenças mais fantásticas  firmemente ancoradas na realidade. Fiche mas impalpável. Por mais intangível que ela seja, é como o fundo que se revela pela ausência da forma que nele se destacava e agora já não se vê.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Abrir covas e Plantar Árvores.



Abri covas com o alvião para plantar árvores.
Plantei um azevinho, carvalhos, castanheiros, macieiras. 
Plantei também um agave attenuata, sebes, alfazema e jasmim.







quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Querem roubar as sementes que são de todos.


Publicado em 06/05/2013 por Luís Alves
 
Escrevo este texto hoje no papel de guardião de sementes, de agricultor que pratica modo de produção biológico, preocupado com o futuro do Planeta, com o futuro das sementes, que os nossos antepassados souberam preservar, com proveito para todos nós, enquanto espécie.

A nova lei das sementes, aprovada ontem pelos comissários europeus, e apesar de ter tido em conta algumas derrogações, é uma ameaça à agrobiodiversidade, à pequena e média agricultura local, dando poder absoluto à comissão europeia para abolir derrogações ou estabelecer novos limites quando bem entender.

Criará enormes obstáculos à preservação de espécies e variedades, abrindo caminho ao agro-negócio gerido pelas gigantescas corporações, que pretendem a normalização e o estabelecimento de regras de propriedade intelectual sobre estas sementes.

Portugal tem neste caso uma enorme responsabilidade histórica, fomos nós que globalizámos boa parte de todas as plantas que são hoje utilizadas pela humanidade. Hoje, estas plantas e as suas sementes, de polinização aberta, são de todos.

Deveríamos por isso ter um papel activo na defesa de um dos últimos bastiões de igualdade, de proporcionalidade, de liberdade individual. Se nos retiram as sementes, a seguir será a água, depois a Terra, depois só nos resta a escravatura e mais uma idade das trevas.

Mas não temos... ainda ontem a ministra da agricultura discutia com o seu homólogo espanhol, a convite de um banco e de um jornal português, a agricultura sustentável como uma das apostas da economia portuguesa para superar a crise... Na semana anterior, Portugal foi um dos 8 países da comunidade que votou contra a proibição de pesticidas que afectam as abelhas, e que podem levar todos os seres vivos à extinção em massa.

Sou agricultor e jardineiro, há mais de 15 anos que produzo as minhas próprias sementes, tal como os meus antepassados. Tenho em produção centenas de espécies de plantas, algumas das quais fomos melhorando através de selecção massal, ou seja, escolhendo ao longo do tempo os indivíduos mais fortes e mais aptos. Estas sementes são regularmente trocadas com inúmeras pessoas e instituições. Aquilo que sou hoje seria impossível sem que esta troca existisse.

Os problemas de fome e miséria nunca se resolverão homogeneizando as sementes, afunilando a biodiversidade alimentar, há outros caminhos, que talvez por não valerem dinheiro, optámos por não seguir. Combater o desperdício alimentar tem que ser uma prioridade para os seres humanos, produzir alimentos localmente e de forma sustentável também. E já agora, falar menos de sustentabilidade e practicar mais sustentabilidade é urgente. E aqui refiro-me, está claro, a todos nós.
                                                               Luís Alves


quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Os adeptos.





Levam a semana a sonhar com o dia do jogo.
Anseiam pelo cingir das cores improváveis da camisola ridícula, pelo garrote sufocante do cachecol em pleno verão, pelo aconchego apertado do barrete que enfiarão até às orelhas. Sonham assim uniformizados com a sua hoste, estar lá a presenciar o jogo. Vivem por antecipação a euforia do triunfo, ainda que alheios à concretização do golo que decide a vitória, passivamente na expectativa de poderem gritar de alegria erguendo a bandeira que os identifica e a qual escolheram dedicar afeição.

Quando eu era miúdo calhava ao Domingo,o tempo do relato da bola era o tempo de recreio dos que não tinham dinheiro para ir ao estádio. Restava-lhes ficar a ver o jogo pela telefonia. Era o intervalo de reinação em que os homens tinham o consentimento das mulheres para voltarem a ser miúdos, libertos das responsabilidades de pais de família. Pelo menos durante duas horas recebiam autorização para estarem ali parados sem fazer nada nem terem de se justificar pela sua improdutividade. Este tempo podia até ser alargado às discussões de tertúlia na colectividade, no café, ou na taberna e podia até ser subsidiado, sem reparo nem censura, para as despesas alcoólicas que a alimentavam.

Também não lhes era levado a mal essa obsessão por rapazes e adultos jovens, em calção, a correrem atrás duma bola num descampado. A sua masculinidade não era posta em causa por esse seu interesse platónico e certamente desportivo na canela do defesa-central, na coxa do avançado ou na virilha do ponta-de-lança. A sua virilidade era até incrementada quando identificavam o seu temperamento com as façanhas e facécias dos seus ídolos que mau grado a vida monástica que os compelia, se faziam fotografar e noticiar com raparigas bonitas, inacessíveis de aspecto, e de provimento.

Depois, naquela fraternidade masculina, não havia barreiras culturais ou sociais que segregassem os que se abrigavam sobre o mesmo totem: os leões, as águias, os dragões. Do padre ao juiz, do cirurgião ao magarefe, do chofer-de-praça ao guarda-freio, todos eram pares e isso trazia facilidades para a família do confrade:
-“Senhor Doutor se lhe pudesse dar uma palavrinha… viu o jogo ontem?!
Que grande jogatana!... A minha patroa anda adoentada… Vamos lá ver como é que se portam domingo, lá em cima não são favas contadas.”
 – “Eu bem lhe disse que ía ser assim, e lá em cima vai ser igual homem! ...Passe cá mais logo e traga a esposa.”

Actualmente o jogo da bola mudou. Mudaram os adeptos, o sexo dos adeptos, o número de adeptos, aumentaram os dias da semana em que há jogo, aumentou a intensidade com que os adeptos se alheiam de outras realidades para viverem melhor a sua persona…
O negócio em torno do jogo da bola cresceu, agora passa nas televisões em canais de assinatura privada com taxa específica e publicidade paga, muita publicidade, expressa e subliminar. Tornaram-no num fenómeno, é essa a palavra que escolheram para escamotear a propaganda levada ao extremo. Impregnando os tempos de informação dos telejornais como se o assunto merecesse uma atenção igual a uma verdadeira notícia de valor global. A forma aguda que usam para fazer este “fenómeno”, dando-lhe o destaque que não dão à informação cultural, à formação lúdica, social e ética dos jovens, ao cuidado e ao respeito com os idosos, ao respeito pela natureza ou mesmo à prevenção dos cidadãos para catástrofes, só pode ter um nome: alienação.

O jogo da bola, o futebol, é bem o espetáculo da democracia totalitária actual. É uma realidade do tudo ou nada em que a competição se sobrepõe à cooperação.  
A cooperação é desvalorizada pela especialização dos jogadores, com ênfase na eficiência máxima, tornando-se numa cadeia hierarquizada de responsabilidades e competências. Ainda não se chegou ao extremo de outras modalidades em que o ritmo foi acelerado pela constante substituição de jogadores em que se chegou ao limite de uns só atacarem e de outros só defenderem.

Como no futebol, o resultado desta democracia totalitária em curso será a massificação e a limitação da iniciativa e da criatividade. A iniciativa e a criatividade não são para os ousados mas sim para os autorizados. Uma prerrogativa aristocrática para fidalgos.
Para os outros está-lhes reservado o estatuto de adepto com direito a um desmoralizante voto periódico e a liberdade de serem despreocupadamente miúdos no intervalo do recreio durante o tempo restante.


quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Os Estaleiros Navais e os "middle-men" que nos arruínam.



O País Portugal nada tem a ver com o Mar nem com a construção naval.

Se a Nação já foi de marinheiros, isso foi há tanto tempo que talvez só as pedras se lembrem.

O que o país foi sempre, foi o de ser terra de merceeiros, de intermediários de middle-men que é expressão mais conforme com este mundo contemporâneo trade de gente fashion, que fala o linguajar marketing.

? Para que servem então arsenais e estaleiros? Indústrias e oficinas? Só se for para arruinar e terraplanar de modo a construir vivendas apalaçadas com vista para o mar?
Não faz sentido que Portugal tenha Estaleiros Navais e que estes sejam parte do Desígnio Nacional. Construção Naval só de souvenirs para turista e mesmo essa manda-se fazer na China.


Um ilustre ministro de economia já tinha dado o mote: atrair reformados de luxo que queiram viver debaixo do nosso sol e dos nossos cuidados para que as suas pensões elevadas possam sustentar a prestação de serviço dos remediados que os servem e pagar bem a servidão de ministros que tudo isto idealizem.



Para quê ter amontoados de operários especializados, de técnicos, de verdadeiros engenheiros que possam trabalhar e ter orgulho no que fazem? Isso só acarreta problemas!

Por produzirem riqueza começam a falar uns com os outros, ganham consciência e já não se deixam enganar com papas e bolos. Há que nivelar por baixo se não for pela fome que seja pela necessidade mesmo daquilo que não faz falta.

Mas tudo feito na maior legalidade, discretamente e sem alarde, pois que as rezes para abate têm de ser enganadas até ao fim por necessidade prática e imperativo financeiro do lucro máximo da própria actividade de matança.



Não há aqui lugar para suspeitas de corrupção tudo tem de parecer transparente e imaculado. Há que proteger estas elites dos middle-men. Já não é aceitável que a casinha seja trocada pela mansão, que o quintal seja trocado pela quinta, que se compre um lote de papeis a tostão que depois passem a render um milhão. Temos de caminhar para a excelência trade que obriga a rigorosa regulação e controlo dos players.

Assim para os middle-men passaram a ser preferíveis as pensões vitalícias, as bolsas por palestra, as subvenções por consulta ou por parecer dado e ainda o patrocínio de filhos, netos, família próxima e vindoura e a instituição de fundações.

Ou seja em vez de se dar a chave dá-se a senha. Entre estas elites de middle-men há realmente nomes que abrem portas como o “Abre-te Sésamo” das Mil e Uma Noites. E já ninguém percebe ou se lembra que é uma história de ladrões. "Fecha-te Sésamo!".  
Por isso convém relembrar que nesta história, Ali- Babá acaba por triunfar enquanto aos 40 ladrões foi reservado um triste fim: Acabaram mortos antes do final da história.






terça-feira, 3 de dezembro de 2013

acarretar sobre o abismo

Das mil palavras da imagem: 
Carrinho de mão ou carrinho é um tombador pequeno movido a energia humana usado para transportar pesos ou geralmente terra ou areia em construções. Usado também nas fazendas ou nos jardins, o carrinho de mão facilita o deslocamento de cargas que podem ser pesadas ou meramente incómodas. É composto de uma roda e dois braços e o centro de gravidade fica perto da roda.
 in "Wikipédia"

 Abismo 
-Precipício profundo
-Grande depressão quase vertical
-Fossa submarina
-O caos.
- Trevas
-O último grau, o extremo
 Sinónimos: Despenhadeiro; Sorvedouro ou sorvedoiro; Voragem; Báratro.
 in "Wikcionário"

domingo, 1 de dezembro de 2013

1º de Dezembro de 1640 pelo Prof. José Hermano Saraiva

O filme com a apresentação histórica do 1º de Dezembro tem já 19 anos. Nesse tempo o dia era feriado. Hoje os "Migueis de Vasconcelos" que governam em Portugal tentam apagar essa memória e por isso acabaram com o dia feriado. Os amos a quem obedecem deram-lhes indicações para quebrar essa tradição independentista não fosse ela prejudicar o chamado "projecto europeu" que literalmente acaba com a nossa soberania e deixa o poder legislativo  comprometido pelas decisões que em Bruxelas ou em Estrasburgo ou em Berlim nos queiram impor.
Ainda há pouco tempo um representante do Estado Espanhol admirava e invejava esse espírito identitário
nacional que os portugueses em qualquer parte do mundo comungam com a sua história e com a sua nacionalidade. Oxalá nos mantenhamos assim apesar dessa gente que se vende e nos quer vender fechando indústrias, entregando a interesses alheios a Portugal empresas estratégicas, alienando direitos sobre o território e o património cultural e natural, sobre os recursos naturais desperdiçando os recursos humanos das gerações mais novas e a sua capacidade de realização e criatividade.
Lembremos por isso a Restauração da Independência e façamos dela uma luta quotidiana.


sábado, 30 de novembro de 2013

Poema escrito por Fernando Pessoa, um "Santo Bebedor", a dois anos de distância, no porvir da efeméride da sua morte.





Servo sem dor de um desolado intuito,
De nada creias ou descreias muito.
O mesmo faz que penses ou não penses.
Tudo é irreal, anónimo e fortuito.

Não sejas curioso do amplo mundo.
Ele é menos extenso do que fundo.
E o que não sabes nem saberás nunca
É isso o mais real e o mais profundo.

Troca por vinho o amor que não terás.
O que 'speras perene o 'sperarás.
O que bebes, tu bebes. Olha as rosas.
Morto, que rosas é que cheirarás?

Vendo o tumulto inconsciente em que anda
A humanidade de uma a outra banda,
Não te nasce a vontade de dormir?
Não te cresce o desprezo de quem manda?

Duas vezes no ano, diz quem sabe,
Em Nishapor, onde me o mundo cabe,
Florem as rosas. Sobre mim sepulto
Essa dupla anuidade não cabe!

Traze o vinho, que o vinho, dizem, é
O que alegra a alma e o que, em perfeita fé,
Traz o sangue de um Deus ao corpo e à alma.
Mas, seja como for, bebe e não sê.

Com seus cavalos imperiais calcando
Os campos que o labor 'steve lavrando,
Passa o César de aqui. Mais tarde, morto,
Renasce a erva, nos campos alastrando.

Goza o Sultão de amor em quantidade.
Goza o Vizir amor em qualidade.
Não gozo amor nenhum. Tragam-me vinho
E gozo de ser nada em liberdade.


                                                                                 30 de Novembro de 1933










Poema escrito por Fernando Pessoa, a um ano de distância, no porvir da efeméride da sua morte.








Exígua Lâmpada tranquila,
Quem te alumia e me dá luz,
Entre quem és e eu sou oscila.


                                                                      30 de Novembro de 1934










Delirium Tremens





 Á memória das Pessoas do Poeta Fernando Pessoa e dele mesmo.
Delirium Tremens

Acordáste transpirado.
O corpo tiritando de frio. Os pés gelados a doerem tanto que não se conseguem segurar no chão a não ser por um formigueiro doloroso a esboroar a carne em dor até ao osso.
De noite ninguém veio trazer-te a coberta de lã da cama quente.
Pois ninguém podia vir.
Já não há ninguém que possa vir tapar-te na noite fria. Resguardar-te da ansiedade e do desespero gélido. Amparar-te no medo... Se gritares por auxílio é em vão! Gritarás sem que da noite alguém possa vir socorrer-te.
Que pavor não obter mais resposta que esse zumbido fino do silêncio nos ouvidos.
A coberta, essa, era da outra casa, da outra cama quente. Ficou lá e tanta falta fazia agora. Trocaste-a por aquela garrafa de eau-de-vie ...a velha coberta de papa que tanta falta faz! E o cão? ... O cão ferrado na perna a doer a doer, a rasgar a pouca carne. Ainda assim, pouca mas a doer muito, a não poderes fazer sequer um movimento. Que dor! E tanto frio…

Logo logo, abre o carvoeiro às cinco e meia, … e a leitaria às seis. Um branco velho, uma jeropiga, uma malga quente de café com genebra e um cigarro, um mata-bicho qualquer que o bicho tenho-o aqui, tenho-o aqui a ferrar na perna, a bater na cabeça,... a centopeia a marchar, patas e patas de botas cardadas …Bum! Bum! ...Bum! Bum!…Compassadamente, em marcha, o sangue a querer esvair-se, gorgolejando e querendo sair, pelas têmporas, pelas coxas, o formigueiro…

É noite e é Sábado! 
 Quando era pequeno o pai vinha aconchegar a roupa, tirava o braço pisado debaixo do corpo para que não ficásse dormente e acariciava a boca babada, de borco, entreaberta e cerrava-a numa carícia como se fechásse um olhar cego para este mundo e me oferecesse na boca fechada outra vida, na palavra desperta no outro lado do sonho, e me levasse nos braços dormindo e me deixasse a correr livre, com os calções do verão, no jardim como um jockey amarelo num cavalo azul, ou um cão verde…

aqua vi,  aqua vitæ, aqua vitæ
doi-me o abdómen!
 quero urinar, quero urinar, 
tremem-me as mãos, 
todo eu tremo.
… soltem-me as mãos, quebrem-me as amarras 
quem foi que me agarrou a esta cama?
quem foi que me amarrou?
quero urinar
 rebenta-me a bexiga.
Tragam-me um copo de vinho deixem-me por Deus ao menos despedir-me do Vinho
 de toda a terra e de toda a felicidade por vir
dêem-me um Copo de Vinho
 Rebenta-me a bexiga não posso urinar levem-me daqui
doi tanto
 está tanto frio
tirem-me daqui
 libertem-me

 libertem-me...