domingo, 2 de agosto de 2015

Vulva, Phallus e Pão.

A broa é o verdadeiro pão.
As broas antigas eram de painço depois foram de centeio, de trigo e agora são de milho.
A palavra broa é muito antiga e deve ter vindo com as pessoas que trouxeram as sementes com as quais se fazia o pão. 
Essas pessoas que vieram a pé do Oriente e de África e que nos deram a existência e a cultura, dos quais perdemos o rasto e cuja memória apenas sobrevive na etimologia, são os mesmos egrégios avós dos irmãos que agora deixamos morrer em naufrágio, ou em campos de concentração, na Grécia, em Itália, em Espanha ou em França.
A palavra broa existe em várias línguas bröt, bread, brood, breid, brea, broa. As palavras modernas derivam de termos arcaicos em que surpreendentemente a fonética se manteve. Para mim isso atesta a importância dessa tal broa como alimento universal. O termo parece indicar o produto fermentado, levedado e consolidado com a cozedura. Mas nada disso me interessa agora. Também não me vou perder agora na linguagem técnica das padeiras e dos padeiros tradicionais que para o fermento usam termos como crescente e para a massa que está a levedar dizem estar prenhe, ou estar finta. 
O que me interessa agora é a forma do pão. 
Não vou fazer uma reflexão profunda não tenho conhecimento para isso mas hoje deu-me para aqui. 
O pão português que de dia para dia se perde e se transforma em pasta mal levedada e mal cozida terá sido dos melhores pães do mundo. Assim o dizem as comunidades para onde Portugal exportou os seus padeiros: Brasil, África do Sul, Venezuela, América do Norte...
Agora que a modernidade parece ter destruído a rusticidade e a qualidade do pão tal como já acontecera noutros países da Europa resta-nos lutar para que ela possa permanecer e regenerar-se na intimidade dos que ainda fazem o seu pão.  
E já agora que não acabem os seus formatos tradicionais com subtis conotações à genitalia de tradição fortemente pagã.


4 comentários:

Justine disse...

Tanta coisa boa que se vai perdendo!
Eu vou lutando como posso pela manutenção do nosso pão antigo, consumindo sempre o pão amassado pelas senhoras da aldeia e cozido em forno de lenha! E, escusado dizer, que é uma delícia.
Obrigada por mais estas "aula" :-)))))))))))))))))))))

Carmem Grinheiro disse...

Olá, Filipe.
Nunca me deu para associar o pão à "genitalia", mas, lá deve fazer o seu sentido.
Por outro lado, embora ainda se encontre pão de ótima qualidade em alguns estabelecimentos, é facto que, cada vez mais, se opta pela industrialização massiva, abrindo mão da qualidade que consagrou o nosso pão.
* Adoro o chamado pão saloio, desenhado acima.
abç amg

Luis Filipe Gomes disse...

Aula não, é mais uma conversa de café com torradas e sax barítono em fundo.

Luis Filipe Gomes disse...

Carmem o problema do pão é a falta de descanso, não dos padeiros mas da massa, e o que lhe adicionam com o nome de melhorantes.
Abraço também.