sábado, 9 de abril de 2016

"amtssprache" - Verdadeiramente não há maus desenhos. Mas podem haver temas fáceis e temas difíceis.

Os desenhos são sempre a imagem do desenhador. -Não pensem em auto-retratos mesmo que o desenho seja um auto-retrato.- Talvez seja melhor dizer que os desenhos são sempre belos independentemente de serem ou não figurativos; de neles se poderem identificar seres e objectos, ou só geometria. 
Os desenhos são a sombra que a alma projecta porque a alma não tem forma conhecida e sendo luz e energia não se materializa a não ser na ideia que agora dela aqui invoco e essa é sua única sombra e esplendor.

 "amtssprache" - A palavra refere-se a um tipo de linguagem institucional.  Poder-se-ía traduzir a palavra por oficialês no sentido de que é uma linguagem oficial que retira qualquer responsabilidade ao sujeito que vive dentro da realidade que essa linguagem implica. São frases comuns desta linguagem "Estou a cumprir ordens!" ; "Faço aquilo que a Lei obriga!"; "Eu sou um simples funcionário!" ; "Não é a mim que cabe decidir!"; "É este o meu trabalho!".
Esta linguagem foi referida por Adolf Eichmann para explicar como foi possível o homicídio de milhões de pessoas durante o governo do III Reich alemão, em contextos não militares ou de guerra, chacinando populações civis inteiras de vilas e cidades; mas também em processos industriais de execução e destruição dos cadáveres como foi o caso do extermínio nos campos de concentração nazis. 
Esta linguagem utiliza também eufemismos, metáforas e outras figuras de estilo para a desumanização das suas vítimas. Por exemplo os seres humanos submetidos a experiências atrozes pelos médicos e cientistas japoneses durante a Segunda Guerra Mundial eram designados por estes cruéis carrascos como "troncos".

1 comentário:

Carmem Grinheiro disse...

Boa noite, Filipe.
Interessante definição de desenho, como sendo "a sombra do que a alma projecta". A alma, longe da definição religiosa, mas como essência do ser, está presente em toda a obra.

Em relação ao desenho: há, de facto, temas difíceis de representar com um desenho e difíceis de explicar. Essa palavra esquisita, tanto quanto o seu significado, eu a diria sinónimo de "cobardia", que é o que define a criatura que não tem coragem de assumir-se responsável por seus actos.