terça-feira, 13 de junho de 2017

Fernando Pessoa nasceu no dia de hoje: Fernando António ganhou seu nome como uma predestinação.

Chamaram-lhe Fernando porque Fernando se chamava Santo António antes de ser Santo.
Chamaram-lhe António porque esse era o nome que o homem chamado Fernando de Bulhões que viria a ser conhecido como Santo António escolheu como voto de transcendência na sua fé. Fernando de Bulhões queria seguir o caminho que antes dele um Santo de nome Antão (António) fez, ao resistir ao deserto, à privação e à agonia do Ser. 


Fernando Pessoa fez também o seu caminho atravessando o deserto. Teve os seus delírios, as suas dores e privações.
Foi asceta e místico como os patronos do seu nome. 
Como Santo António morreu antes de tempo, e coincidentemente nas causas: Morreu Santo António de hidropisia, talvez por doença no fígado ou no pâncreas. Morreu Fernando Pessoa de crise hepática ou de pancreatite.

Quando comecei a ler Fernando Pessoa pelos meus 16 anos, a leitura da sua poesia não era ainda uma obrigação escolar, o seu estudo estava reservado para mais tarde e só para quem ía para a universidade para os cursos de letras. 
O interesse pela obra revelou-se livre dos constrangimentos da regra e da interpretação normalizada. 
Descobri Fernando Pessoa à medida que me ía descobrindo na minha adolescência, e assim com ele cresci.
Ligação tão forte levou ao interesse pela imagem da figura humana do próprio poeta, pela imagem de uma pessoa com tantas personas. Depois me interessei pela data de nascimento, pelo tempo em que viveu, pelos anos que viveu. 
Não me esqueço até hoje do espanto e da impressão de dó que tive quando percebi que uma das fotografias que eu conhecia bem, tirada no seu último ano de vida, mostrava um homem que tinha 47 anos e no entanto, um homem precocemente envelhecido a quem eu tinha atribuído antes 60 ou 65 anos. 
Até hoje faz-me impressão essa fotografia e sempre que pinto ou desenho a sua imagem, é a imagem desse último ano, como se assim esse ano pudesse ser prolongado eternamente.



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