sábado, 18 de maio de 2013

Pássaros, passarinhos, passarões, aves de arribação e cucos nos rótulos das garrafas de vinho.



Portugal é um país abrigador de muitas aves. Umas passam outras ficam.
 Vão e vêm ano após ano trazendo os filhos e os netos se a mira do predador não as chumbar contra o azul cerúleo.

 Algumas da capoeira lá passaram aos campos e aos charcos e das que são de voar algumas voaram.
Até aves houve já que foram para cá trazidas para pasto. 
Nas herdades grandes como o mar salgado chegaram a plantar trigo de rega para melhor alimentar os perdigotos afoitos de fome e inocência.







Não sei se para quem come aves a imagem da coisa viva faz sentido numa vasilha que sangra um líquido tinto gorgolejante de vida; mas para quem as não come essa mesma vida afirma-se na imponderabilidade que ao fim de uns copos tomará como sua e que tão bem julgamos caracterizar os anjos.


calado


quinta-feira, 9 de maio de 2013

O Dia da Espiga, coincidente com a Quinta-feira da Ascensão (com o meu agradecimento ao Núcleo de Documentação Municipal do Município de Évora )


O Dia da Espiga

O Dia da Espiga, coincidente com a Quinta-feira da Ascensão, é uma data móvel que segue o calendário litúrgico cristão.
Mas, se actualmente poucas são as pessoas que ainda vão ao campo nessa quinta-feira, abandonando as suas obrigações, para apanhar a espiga, ou que se deslocam às igrejas para participar nos preceitos religiosos próprios da data, tempos houve em que, de norte a sul do país, esta foi uma data faustosa, das mais festivas do ano, repleta de cerimónias sagradas e profanas, que em muitas zonas implicava mesmo a paragem laboral. A antiga expressão “no Dia da Ascensão nem os passarinhos bolem nos ninhos” deriva dessa tradição.
A origem gaudiosa deste dia é, contudo, muito anterior à era cristã. Este dia é um herdeiro directo de rituais gentios, realizados durante séculos, por todo o mundo mediterrâneo, em que grandiosos festivais, de intensos cantares e danças, celebravam a Primavera e consagravam a natureza.
Para os povos arcaicos, esta data, tal como todos os momentos de transição, era mágica e de sublime importância. Nela se exortava o eclodir da vida vegetal e animal, após a letargia dos meses frios, e a esperança nas novas colheitas.
A Igreja de Roma, à semelhança do que fez com outras festas ancestrais pagãs, cristianiza depois a data e esta atravessa os tempos com uma dupla acepção: como Quinta-feira de Ascensão, para os cristãos, assinalando, como o nome indica, a ascensão de Jesus ao Céu, ao fim de 40 dias; e como Dia da Espiga, ou Quinta-feira da Espiga, esta traduzindo aspectos e crenças não religiosos, mas exclusivos da esfera agrícola e familiar.
O Dia da Espiga é então o dia em que as pessoas vão ao campo apanhar a espiga, a qual não é apenas um viçoso ramo de várias plantas - cuja composição, número e significado de cada uma, varia de região para região –, guardado durante um ano, mas é também um poderoso e multifacetado amuleto, que é pendurado, por norma, na parede da cozinha ou da sala, para trazer a abundância, a alegria, a saúde e a sorte. Em muitas terras, quando faz trovoada, por exemplo, arde-se à lareira um dos pés do ramo da espiga para afastar a tormenta.
Não obstante as variações locais, de um modo geral, o ramo de espiga é composto por pés de trigo e de outros cereais, como centeio, cevada ou aveia, de oliveira, videira, papoilas, malmequeres ou outras flores campestres. E a simbologia de cada planta, comumente aceite, é a seguinte: o trigo representa o pão; o malmequer o ouro e a prata; a papoila o amor e vida; a oliveira o azeite e a paz; a videira o vinho e a alegria; e o alecrim a saúde e a força.
Além destas associações basilares ao pão e ao azeite, a espiga surge também conotada com o leite, com as proibições do trabalho e ainda com o poder da Hora, isto é, com o período de tempo que decorre entre o meio-dia e a uma hora da tarde, tomando mesmo, nalguns sítios do país a designação de Dia da Hora. Nas localidades em que assim é entendida esta quinta-feira, acredita-se que neste período do dia se manifestam os mais sagrados e encantatórios poderes da data e nas igrejas realiza-se um serviço religioso de Adoração, após o qual toca o sino. Diz a voz popular que nessa hora “as águas dos ribeiros não correm, o leite não coalha, o pão não leveda e até as folhas se cruzam” . Nalgumas povoações era também do meio-dia à uma que se colhia a espiga.
Noutras regiões ainda, esta data é dedicada ao cerimonial do leite. Na aldeia da Esperança, no concelho de Arronches, este é aliás o “Dia do Leite” e os produtores de queijo ordenham o seu gado e oferecem o leite a quem o quiser. Também em Guimarães, e em muitas freguesias do concelho de Pinhel, o leite ordenhado neste dia é oferecido ao pároco. Em Santa Eulália, no concelho de Elvas, esse leite é dado aos pobres, acreditando-se assim que a sarna não atingirá as cabras.
Nas zonas onde esta data é associada à abstenção laboral, cessam-se muitas actividades como a cozedura do pão ou a realização de negócios. Na Lousada, em Penafiel, não se cose nem se remenda e há quem deixe comida feita de véspera para não ter de cozinhar neste dia.
No que diz respeito ao sul do país, e sobretudo na actualidade, a maioria das tradições do Dia de Espiga resume-se à apanha do ramo da espiga, ao qual, em muitos sítios, se adiciona também uma fatia de pão, para que durante todo o ano não falte este alimento em casa.

Núcleo de Documentação Municipal  -  Bibliografia OLIVEIRA, Ernesto Veiga - Festividades Cíclicas em Portugal. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1984. 357 p.(Colecção Portugal de Perto n.º 6).

" Hoje dia 9 de Maio é o Dia da Europa, haverá alguém que saiba dizer-me porque é que há um Dia da Europa? "


terça-feira, 7 de maio de 2013

Rabindranath Tagore (7 de maio de 1861 - 7 de agosto de 1941)

"Há triunfos que só se obtêm pelo preço da alma, mas a alma é mais preciosa que qualquer triunfo."

Ranbidranath Tagore na interpretação de Shama Rhaman



Rahman Shama


Majhe majhe tobo dekha pai


Majhe Majhe Tobo Dekha Pai
majhe majhe tobo dekha pai
chirodin keno pai na
majhe majhe tobo dekha pai
chirodin keno pai na

Keno megh ashe hridoyo akashe
keno megh ashe hridoyo akashe
tomare dekhite dei na   
majhe majhe tobo dekha pai
chirodin keno pai na
majhe majhe tobo dekha pai
chirodin keno pai na

khoniko aloke akhiro poloke
tomay jobe pai dekhite
khoniko aloke akhiro poloke
tomay jobe pai dekhite
ohe harai harai soda hoy voy
harai harai soda hoy voy

majhe majhe tobo dekha pai
chirodin keno pai na
majhe majhe tobo dekha pai
chirodin keno pai na

ohe ki korile bolo
paibo tomare
rakhibo akhite akhite

ohe eto prem ami kotha pabo na
eto prem ami kotha pabo na
tomare hridoye rakhite

ohe ar karo pane chahibona
ar kori a aji prano pon
ar karo pane chahibona
ar kori a aji prano pon 

ohe tumi jodi bolo
ekhoni koribo
tumi jodi bolo

bisoyo basona bisorjon
dibo shreechorone bisoyo...
dibo okatore bisoyo...
dibo tomar lagi
bisoyo basona bisorjon
 
majhe majhe tobo dekha pai
chirodin keno pai na 
majhe majhe tobo dekha pai
chirodin keno pai na
 
Keno megh ase hridoyo akashe
keno megh ase hridoyo akashe
tomare dekhite dei na
  
majhe majhe tobo dekha pai
chirodin keno pai na
majhe majhe tobo dekha pai
chirodin keno pai na
Majhe Majhe Tobo Dekha Pai


Majhe majhe tobo dekha pai

 I glimpse you now and then
Why not forever more?
Why do clouds engulf my heart?
Not letting me see
The clouds of illusion blind me
Not letting me see

In a sliver of light in the blink of an eye
When I catch a glimpse of you
I am ever fearful of losing you
Only to lose you in a flash
I lose you before my hopes are met
I lose you before I can blink my eye
I lose you before my heart is soothed
I lose you in a flash

Tell me how to attain you
To keep you within my sight
Where will I find so much love O Lord?
To give you place in my heart
Can I dare to?
If you are not kind who can dare?
If you do not come yourself
Who can keep you in their heart?

None else will I look up to
If you command, I will this very moment
With all my heart and soul
Surrender my passions and possessions
I will surrender at your feet
I will surrender without hesitation
I will surrender to you my passions and possessions

quarta-feira, 1 de maio de 2013

1º Maio 2013 - Bangladeche


France Presse 01/05/2013 08h15 - Atualizado em 01/05/2013 08h51

No 1º de Maio, milhares protestam em Bangladesh para lembrar tragédia

Desabamento de prédio provocou a morte de mais de 400 pessoas.
Autoridades locais divulgaram que 149 pessoas estão desaparecidas.

Da France Presse
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Milhares de pessoas protestaram nesta quarta-feira nas ruas de Dacca, por ocasião do 1º de Maio, para exigir a condenação dos donos das unidades de confecção do prédio que desabou na semana passada e provocou a morte de mais de 400 pessoas.
Milhares de pessoas protestaram nesta quarta-feira nas ruas de Dacca (Foto: Munir uz Zaman/AFP)Milhares de pessoas protestaram nesta quarta-feira nas ruas de Dacca (Foto: Munir uz Zaman/AFP)
Também nesta quarta-feira, o Papa Francisco condenou o trabalho escravo, ao mencionar no Vaticano a tragédia em Bangladesh.
"A manchete que me chocou de verdade no dia da tragédia de Bangladesh foi 'Viver com 38 euros ao mês'. Era o que recebiam todas as pessoas que morreram. É o que se chama de trabalho escravo", declarou o pontífice.
Apesar dos pedidos de calma da primeira-ministra Sheikh Hasina, o governo teme atos de violência nas fábricas têxteis do país, onde operários trabalham em condições terríveis para produzir peças de empresas ocidentais.
Prédio de oito andares desabou na localidade de Savar (Foto: Munir uz Zaman/AFP)Prédio de oito andares desabou na localidade de Savar (Foto: Munir uz Zaman/AFP)
O balanço atualizado da tragédia divulgado nesta quarta-feira informa 402 mortos encontrados nos escombros do Rana Plaza, um edifício de oito andares que desabou em Savar, perto da capital.
O general Chowdhury Hasan Suhrawardy anunciou ainda que 149 pessoas são consideradas desaparecidas.
Em Dacca, os manifestantes exigiram justiça uma semana depois da tragédia.
Eles exigiram a execução na forca para os proprietários das unidades têxteis, que obrigaram os trabalhadores a permanecer no prédio, apesar das péssimas condições do edifício.
O governo de Bangladesh também foi criticado. Empresas europeias e americanas de confecção exigiram que Dacca melhore as condições de segurança dos trabalhadores.
Os parentes das vítimas criticam o governo por ter rejeitado a ajuda oferecida por outros países para as operações de resgate.
O governo anunciou um plano de inspeção das fábricas, mas rebateu as acusações de negligência nas operações de busca por corpos nos escombros do edifício.
Sete pessoas, incluindo o proprietário do Rana Plaza, foram detidas e acusadas de homicídio doloso.
Centenas acompanharam nesta quarta-feira enterro coletivo de trabalhadores que morreram no desabamento (Foto: Andrew Biraj/Reuters)Centenas acompanharam nesta quarta-feira enterro coletivo de trabalhadores que morreram no desabamento (Foto: Andrew Biraj/Reuters)

Bangladeche - Hino Nacional em Versão Olímpica


"Amar Shonar Bangla" Hino do Bangladeche



Bangladesh algumas notas breves.

  A canção que se ouve é do grande poeta e músico Rabindranath Tagore que a compôs por volta de 1905. Posteriormente foi adaptada para o Hino do Bangladeche após a independência de 1971. Tem alguma semelhança com a génese do nosso Hino Nacional; a Portuguesa também ela foi escrita contra o mesmo opressor.
A opressão e a exploração continuam em Portugal como no Bangladeche, lá de forma mais desenfreada e sem respeito pela vida das trabalhadoras e trabalhadores; cá apesar de tudo de forma mais dissimulada.


Thankyou to:
http://www.youtube.com/user/jcdactivist?feature=watch

Bangladesh - Onde o 1º de Maio mais doi e faz sentido.


Bandeira do Bangladesh

Uma Canção de Maio, Canção de Escárnio aos Traidores.