quarta-feira, 17 de julho de 2019

Os legumes que crescem sem fosfatos e quase sem serem regados. Les légumes de Pascal Poot poussent sans arrosage



E quando os fosfatos acabarem? As minas de Marrocos e da Tunísia estão a chegar ao ponto do seu esgotamento. 
As plantas actuais necessitam de fosfatos e de muita água. Só as variedades antigas estão aptas a retirar do solo o seu alimento fosfatado e a água em quantidades menores. 
Estas variedades estão a ser patenteadas por grandes empresas multinacionais agro-industriais. O património mundial de sementes está a ser registado no nome dessas empresas. É um roubo à escala global.












segunda-feira, 15 de julho de 2019

Dente de Leão - Diente de León: la planta que Monsanto quiere erradicar (con Josep Pàmies)



Eficaz no combate à leucemia o Dente de Leão é abundante. A indústria agro-química tenta destruí-lo. A indústria farmacêutica ignora-o mas simultâneamente vai construindo moléculas para o mesmo fim, moléculas que patenteia e vende. Independentemente disto tudo, os pássaros nomeadamente os pintassilgos adoram as suas sementes. Em criança havia uma brincadeira em que se perguntava "o teu pai é careca?" dada a resposta soprava-se a cabeça esférica onde as sementes estavam e consoante voassem todas ou ficasse alguma agarrada se julgava ser falsa ou verdadeira a resposta dada.
Uma coisa é certa e verdadeira não há ervas daninhas, há é muita ignorância e muito conhecimento que se perde e não se transmite às gerações mais novas.



Celidonia. La planta de los mil usos (con Josep Pàmies)

Para as pedras nos rins e onde for que haja oxalatos de cálcio depositados. Principalmente onde se tornam nocivos como nas paredes das artérias nos ouvidos e outros locais onde não fazem falta. Lepidium latifolium

terça-feira, 9 de julho de 2019

Os namorados embriagados.

Nunca mais tinha visto estes desenhos sabia que os tinha guardado mas não os conseguia encontrar. Desenhei-os na Cidade do Luxemburgo em Outubro de 1992.
Tinha entrado num café com evidentes marcas de ser negócio de portugueses, bandeiras e fotografias na montra, marcas portuguesas de bebidas... mas a lista de especialidades portuguesas em luxemburguês mostrou-me que a clientela não era exclusivamente portuguesa. 
Em todos os estabelecimentos onde tinha entrado antes dirigiam-se a mim com um "gudden moien", só quando eu respondia em francês, usavam o francês para falar comigo, por isso foi uma surpresa quando naquele café um homem sorridente que eu ouvira falar em francês com os outros clientes veio à mesa onde me tinha sentado e para me atender pergunta:
 "-Ora então o que é que vai ser?"
Eu bem sabia que não parecia luxemburguês, nem francês e muito menos alemão, mas até essa altura não sabia que o meu aspecto era tão evidentemente português.






















Entretanto de uma mesa levantou-se um casal que saiu para a rua e enquanto esperava o meu café comecei a desenha-los.









































Sinuosamente, como se a ruela fosse um convés num mar agitado, progrediam em zigue-zague.
Lentos, muito ébrios e enamorados, íam cingidos em amparo, percorrendo o empedrado de lés-a-lés até quase encontrarem as paredes das casas, mas com a firmeza de não tropeçarem em coisa alguma.
Sorri e senti uma imensa ternura como se os conhecêsse. 

















domingo, 7 de julho de 2019

Herbicidas - O Q.I. dos cartazes de aviso de herbicida. Dizem os indiferentes "com o mal dos outros posso eu bem".


...A febre dos herbicidas felizmente não chegou aí.
Aqui nesta aldeia de Lisboa nas suas Freguesias e seus arredores continuam a usar glifosato e outros venenos. 
Colocam cartazes a avisar os vizinhos da perigosidade para crianças e animais de companhia mas quem irá avisar os gatos de rua? os chapins e as arvéolas? os pardais e os melros? os gatos e os cães que passam? Quem lerá os cartazes para eles? E quando a chuva vier para onde irá todo esse veneno?

misturar


sábado, 6 de julho de 2019

O homem de carrapito disse:

"Foi super interessante! 
 A cereja no topo do bolo é que esta acção foi   também muito gratificante!  
 Tive de sair da minha zona de conforto, ser   resiliente, aproveitar esta janela de oportunidade   e juntar sinergias para esta experiência top.  
 Foi 5 estrelas!  
 Amei! 
 E no fim do dia..."


quarta-feira, 3 de julho de 2019

Grada Kilomba - Memórias da plantação.

Ainda sobre segregação racial. Um livro de uma outra índole, mas que tem o mérito de dar voz e ser na primeira pessoa a voz de quem sofreu a segregação. A capa do livro é genial, é espelhada. A imagem que consegui falha esse brilho reflexivo e parece que a capa é cinzenta, mas de facto é um espelho. O livro tem o mérito de ser um espelho para quem o lê, e talvez por isso me tenha sugerido mais anotações do que as que faço habitualmente. As fragilidades que lhe encontrei talvez espelhem as minhas próprias fragilidades de interpretação e compreensão do que é o racismo a começar logo pela palavra "racismo" que enfatiza e dá valor a um tipo particular de segregação.


A propósito de um comentário feito à publicação anterior e que não publicarei. Sobre segregação e racismo, vivamente julgo aconselhável ler.
























segunda-feira, 1 de julho de 2019

En estos dias (Silvio Rodríguez)



En estos días
todo el viento del mundo
sopla en tu dirección
la Osa Mayor corrige la punta
de su cola y te corona
con la estrella que guía la mía.
Los mares se han torcido
con no poco dolor
hacia sus costas
la lluvia dibuja en tu cabeza
la sed de millones de árboles
las flores te maldicen muriendo
celosas.
En estos días
no sale el sol sino tu rostro
y en el silencio sordo del tiempo
gritan tus ojos.
¡Ay de estos días terribles!
¡Ay de lo indescriptible!
En estos días
no hay absolución posible
para el hombre
para el feroz, la fiera
que ruge y canta ciega
ese animal remoto
que devora y devora primaveras.
En estos días
no sale el sol sino tu rostro
y en el silencio
sordo del tiempo gritan tus ojos.
¡Ay de estos días terribles!
¡Ay del nombre que lleven!
¡Ay de cuantos se marchen!
¡Ay de cuantos se queden!
¡Ay de todas las cosas que hinchan este segundo!
Ay de estos días terribles asesinos del mundo






quinta-feira, 27 de junho de 2019

Teresa Silva Carvalho - "Pescador da barca bela" um poema de Almeida Garrett (1799-1854)



Pescador da barca bela, Onde vais pescar com ela. Que é tão bela, Oh pescador? Não vês que a última estrela No céu nublado se vela? Colhe a vela, Oh pescador! Deita o lanço com cautela, Que a sereia canta bela... Mas cautela, Oh pescador! Não se enrede a rede nela, Que perdido é remo e vela, Só de vê-la, Oh pescador. Pescador da barca bela, 'Inda é tempo, foge dela, Foge dela Oh pescador!



sábado, 22 de junho de 2019

"Os que sucumbem..."






















Tenho um livro que por falta na impressão e por falha na triagem me chegou às mãos com várias folhas em branco. Não o troquei porque o comprei numa feira do livro e como me acontece tantas vezes tenho demasiados livros para ler e falta de tempo para o fazer. Na altura não me lembrei de pedir a troca junto do editor e comprei outra edição, desta vez completa e com capa dura. De qualquer maneira nunca deitei fora este livro. Tenho um enorme apego a livros, mesmo livros com falta de folhas ou com páginas danificadas. 
Hoje comecei a ilustrar esse livro.

terça-feira, 14 de maio de 2019

Joly, sempre Joly Braga Santos!

Devo ter dito e até escrito isto várias vezes.
Um dia ouvi na telefonia uma orquestra jorrar torrencialmente uma música delicada que eu nunca tinha ouvido.
Após alguns minutos senti e pensei: Isto é música portuguesa!
Esta percepção tão nítida de pertença, provocou-me a sensação estranha e mágica da ligação de algo tão subjectivo como é uma identidade nacional, através de algo tão abstracto como a música e causou-me uma expectativa que após alguns minutos se confirmou. Havia um coro que cantava em português. No final a locução do radialista anunciou que tínhamos escutado a Quarta Sinfonia de Joly Braga Santos. Então senti uma empatia e uma perplexidade. Algo há numa imagem que nos pode dizer se é uma montanha, uma linha de costa, ou um lago; se é esta ou aquela cidade... mas numa melodia que se gera e evolui e se transforma noutra e noutra ainda numa harmonia sem cliché nem refrão conhecido, sem trompas nem trombetas, sem castanholas nem pandeiretas?... Como se pode captar o sentimento de uma Nação e exprimi-lo assim de forma tão inteligivelmente bela. Foi assim que nasceu o fascínio por Joly Braga Santos do qual hoje se comemora o aniversário de nascimento.
Fica aqui o exaltante e comovente coro final do último andamento desta Quarta Sinfonia.
Orquestra Sinfónica da Rádio Romena dirigida pelo Maestro Silva Pereira em 1978




terça-feira, 30 de abril de 2019

Concerto número 4 de Rachmaninoff para piano e orquestra



Sem palavras!
Há uma suavidade na interpretação deste concerto pelo António Rosado, um tempo de respiração para cada nota que me parecem desconhecidos de outras interpretações incluindo as que ouvi do próprio Rachmaninoff.
O vigor certo, a paixão exacta, o que é rápido não se atropela, o que é torrencial flui sem turbulência. Uma maravilha. Obrigado! Obrigado à orquestra também!

domingo, 28 de abril de 2019

Dessine moi un mouton








dessine-moi un mouton ! Antoine de Saint-Exupéry

J'ai ainsi vécu seul, sans personne avec qui parler 'véritablement, jusqu'à une panne dans le désert du Sahara, il y a six ans. Quelque chose s'était cassée dans mon moteur. Et comme je n'avais avec moi ni mécanicien, ni passagers, je me préparai à essayer de réussir, tout seul, une réparation difficile. C'était pour moi une question de vie ou de mort. J'avais à peine de l'eau à boire pour huit jours,
Le premier soir je me suis donc endormi sur le sable à mille milles de toute terre habitée. J'étais bien plus isolé qu'un naufragé sur un radeau au milieu de l'Océan. Alors vous imaginez ma surprise, au lever du jour, quand une drôle de petite voix m'a réveillé. Elle disait :
- S'il vous plaît... dessine-moi un mouton !



Cianotipia fase da pintura com líquido fotossensível antes da exposição à luz.


Ía verdadeiramente sózinho, sem ninguém com quem falar, até que sofri uma avaria no deserto do Sáara, faz agora seis anos. Alguma coisa se tinha partido dentro do meu motor. E como não tinha comigo nem mecânico nem passageiros mentalizei-me para me desenvencilhar sózinho numa reparação difícil. Para mim era uma questão de vida ou de morte. Mal tinha água para beber durante oito dias. Naquela primeira noite adormeci sobre a areia a mil milhas de distância de qualquer povoação. Encontrava-me bem mais isolado que um náufrago sobre uma jangada no meio do oceano. Então imaginem a minha surpresa quando ao romper do dia fui despertado por uma vozinha engraçada. Ela dizia:
-Por favor... desenha-me uma ovelha!


Cianotipia após exposição à luz e lavagem de relevação do papel.

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Concerto nº 4, Opus 40, para Piano e Orquestra de Rachmaninov








































Concerto nº 4 para Piano e Orquestra que o grande António Rosado tocará.
Aqui uma amostra na interpretação de Arturo Benedetti Michelangeli.



terça-feira, 2 de abril de 2019

Pelouro - eram esferas de pedra que disparadas por canhões chamados pedreiros, no século XV conseguiam furar o casco de um navio a duas milhas de distância.
































Reprodução quase integral de uma pinturinha em tinta acrílica  com dimensões de 27x35 cm feita e exposta noano 2000.



Nos rios que descem da Serra da Estrêla encontram-se muitos calhaus rolados graníticos. 
Alguns perfeitamente esféricos.
Apanhei exemplares destas esferas de pedra em Avô, Oliveira do Hospital, antes da fúria betoneira ter arrasado a vegetação e cimentado as margens do Rio Alva.
É certo que em Avô existe uma fortaleza que vigia o Rio Alva e a pequena ribeira que nele desagua e que agora se chama Ribeira de Pomares. Essa fortaleza com certeza deve ter tido canhões-pedreiros. Não me dei ao trabalho de pesar as pedras e as calibrar para ver essa possibilidade. Não conheço se houve disparos desse tipo de artilharia em Avô. O séc. XV e XVI parecem ter sido pacíficos ou pelo menos até nós não chegou nota de batalhas de artilharia. Mas sei que há uma estrada romana que desce até ao Rio Alva e serve o Castelo. Há indicação de mineração de ouro no rio Alva na época romana e julga-se que teria havido ali um castro anteriormente.
Sei também que as catapultas e os onagros romanos tinham versões ligeiras manobradas por dois ou três artilheiros que lançavam com precisão pelouros de uma ou duas libras pedras como as que recolhi no Rio Alva e me serviram de modelo para a pintura. Não digo que as minhas pedras foram pelouros, mas lá que o podiam ter sido isso podiam.

sábado, 30 de março de 2019

Artur Pizarro & António Rosado - Percy Grainger Fantasy on Gershwin's Po...

Blackout poetry - Poesia da Ocultação ou Poesia da Revelação. Em Oeiras no Parque dos Poetas.

Mas é assim uma forma de despertar para o ponto, a linha, o traço, a mancha.

A rasura, o sublinhado, a circunferência à volta de uma palavra, a nota à margem, a correcção ou o aditamento. Quase todos o fizémos em livros de estudo ou em jornais de forrar o caixote do lixo.

As comunicações secretas dos códigos mais simples eram passadas com uma matriz perfurada que ao ser aplicada sobre a página de um livro não raras as vezes a Bíblia permitia a leitura de uma mensagem. 
Debruavam-se furinhos abertos na trama de lencinhos alvos, caseavam-se orifícios, e bordavam-se folhas e flores em torno de delicados recortes abertos por minúsculas tesouras curvas. Lencinhos que ficavam perdidos no banco da igreja ou se deixavam cair no chão certo na altura exacta.

A "blackout poetry" que em português poder-se-á chamar  a poesia da ocultação ou mesmo até a poesia da revelação  invoca também o conceito da transparência, da forma e do fundo e remete para o palimpsesto que é aquilo que ainda resta e é possível  ser lido e apreendido após um processo de apagamento, encobrimento ou lavagem.

Contudo não é de ânimo leve que rasgo páginas de livros ou que as risco. Mas manifestei o desejo de desenhar e participar na iniciativa. Então nos dois minutos que concedi à espera de quem me acompanhava, escrevi com as palavras que já estavam na folha que me deram:
 "Não! Não rasgues obras de inegável mérito."

segunda-feira, 25 de março de 2019

Ao Arquitecto Manuel Graça Dias.



Manuel,
esta mania de escrever coisas mortas
é como escrever em papel velho 
parece pouco asseado 
e rascunho do que poderia ter sido
No outro dia vi "A Mulher de Trinta Anos " 
que a Dóris traduziu e pensei
que tinha de ler as palavras
que ela dera ao Balzac...

Estou a ficar piegas,
saber que não estás
é saber que não há colunas
no remate da Praça
e sentir que o Tejo passa
Sem Terreiro nem Paço,
e leva as águas
só comércio e sem remédio.

Sabes que contigo aprendi
que a fealdade é uma palavra normativa
para a incapacidade de perceber
é um Amtssprache malévolo.
A ergonomia das construções
é a harmonia da necessidade
É o que o fazer ensina a quem faz.
Não há arquitectura popular nem arquitectura erudita
Só há arquitectura que dura e se refaz
da pedra sêca ao arco perfeito
o abrigo e a luz
o ar e o refúgio
o largo e a comunidade
A terra, a água, o fogo, a imaginação
A mão
E a liberdade de poder começar em outro lugar.

Olha, afinal o café no jardim do Príncipe Real terá de ficar para depois.




sexta-feira, 22 de março de 2019

Tufo da Mafalala de Maputo - A dança da corda.

A música a dança e o canto em Moçambique - Grupo Estrela Vermelha da Ilha de Moçambique.

DANÇA EM ANGOCHE- NORTE DE MOÇAMBIQUE

Dança Chope do sul de Moçambique. O Povo Chope e as suas magníficas Timbilas que são xilofones de som precioso. Aqui meninos e meninas guerreiras mostram a sua coragem e destreza.

De Moçambique para o Mundo José Mucavele-Balada para Minhas filhas

A Dor - Quando se dá a somatização da dor alheia.


























Onde estão as casas que havia
Nestas ruas onde agora passo?
Pergunto, o que aqui faço...
Que é dos nomes que então ouvia?

…Dos aromas e sabores que provei?
Não são casas, são dentes arrancados!
Doidas dores, doídas, …pecados…
Sofridas nozes de partir, que sei?

Barrentas águas a vencer, suóres
Fomes e sedes a acontecer, mínguas…
Crianças gritam em tantas línguas
Dilaceradas, perdidas, deuses menores

Dentes arrancados da boca são
E eram firmes Pedras de Guilhim,
Oh restinga de barro! Oh Gente assim!
Precárias ínsuas sem firme chão

Só vós vos podereis reconstruir 
Erguer da ruína vossa vontade
Por ser nessa terra verdade
A bondade de saber sorrir.